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Part4: As várias faces da escravidão

12/11/2013 21:33

O trabalho livre na América portuguesa:

Os escravos compunham a maioria da mão de obra, mas também havia trabalho livre na América portuguesa, nos diversos setores produtivos e localidades. No século XVIII, o contingente de homens livres e pouco abastados chegou a compor a maioria da população, nas cidades e nos campos. A produção do açúcar comportava alguns trabalhadores livres, brancos ou negros. Além das atividades técnicas ligadas ao refino do açúcar (que muitas vezes eram também exercidas por escravos), havia a prestação de serviços de produtores independentes, de cuja produção os senhores de engenho dependiam em grande medida. Havia, ainda, o trabalho de controle dos escravos, exercido por trabalhadores como os feitores (responsáveis pelo controle na propriedade rural) e os capitães do mato (que deveriam recuperar escravos fugidos).

Também nas regiões das minas os trabalhadores livres estavam muito presentes. A exploração de ouro e diamantes, conforme vimos anteriormente, atraiu para as regiões produtoras pessoas de variadas localidades do Brasil e de Portugal. 

 

O castigo:

 

O castigo mais frequente era o de açoites. De tão comum, sua aplicação pelo feitor tornou-se frequentemente a representação deste empunhado um chicote. Antonil já lembrava que era comum em sua época (século XVIII) dizer-se que para o negro são necessários três pês: pão, pano e pau (comida, roupa e castigo). O castigo era banalizado pela sua constância havendo surras públicas e programadas; a vantagem deste castigo era ser muito prático, podendo ser improvisado a qualquer momento, já que, para funcionar, bastava uma simples vara de marmelo – ou outra madeira flexível – e o lombo de um negro. Há casos em que os próprios proprietários aplicavam o castigo, às vezes, sem nenhuma razão. O escravo novo, mal acabado de chegar, já levava uma surra de relho “para não se meter a besta” 

Part3: As várias faces da escravidão

12/11/2013 14:11

Na agricultura:

Os escravos foram utilizados principalmente na agricultura – com  destaque para a atividade açucareira – e na mineração, sendo  assim essenciais para a manutenção da economia. 

A atividade açucareira foi durante muito tempo o pilar sobre o qual a  economia colonial se sustentou. A extração da cana necessitava de  um grande contingente de mão-de-obra e foi a partir dessa   necessidade que uma grande quantidade de africanos passou a   trabalhar nos engenhos.

Na agricultura, muitos escravos foram utilizados também no cultivo de tabaco, algodão e café, por exemplo.

 

A Introdução dos Escravos Africanos na América Portuguesa:

Os índios que foram assimilados e escravizados pelos colonos portugueses mostraram-se mais eficientes na execução de tarefas a que já estavam adaptados no seu modo de vida, como a extração e o transporte de madeira do que nas actividades agrícolas. Esses trabalhadores eram superexplorados e muitos morriam em decorrência dos castigos físicos aplicados pelos seus senhores. O uso de indígenas como escravos perdurou até o século XVIII. 

Diante das dificuldades encontradas no processo de escravização dos indígenas, os colonos encontraram como alternativa a utilização de escravos africanos. Os mesmos poderiam ser designados pelos seus senhores para o desenvolvimento dos mais diversos tipos de atividades; destacando-se as atividades agrícolas, na lavoura.

Part2: As várias faces da escravidão-América portuguesa

11/11/2013 15:29

O que os fazendeiros faziam com os escravos:

 
Alguns fazendeiros, simplesmente, não davam a menor atenção aos dias santificados e mesmo aos domingos exigiam que seus escravos consertassem estradas, cercas e construções, destruíssem formigueiros ou realizassem pequenas tarefas que acabavam por lhes consumir toda a manhã. Era comum a cessão de pequenos lotes que, embora pertencentes aos proprietários, podiam ser cultivados pelos escravos que tinham então uma fonte de ganho.

 

 

Na mineração:

A mineração foi a atividade que começou a ganhar grande importância na economia colonial durante o século XVIII. Muitos nativos foram utilizados na exploração de metais preciosos, principalmente o ouro, na região de Minas Gerais.

Somente no século XVIII é que a mineração realmente passou a dominar o cenário brasileiro, intensificando a vida urbana da colônia, além de ter promovido uma sociedade menos aristocrática em relação ao período anterior, representado pelo ruralismo açucareiro.

A mineração, marcada pela extração de ouro e diamantes nas regiões de Goiás, Mato Grosso e principalmente Minas Gerais, atingiu o apogeu entre os anos de 1750 e 1770, justamente no período em que a Inglaterra se industrializava e se consolidava como uma potência hegemônica, exercendo uma influência econômica cada vez maior sobre Portugal.

Part1: As várias faces da escravidão - América portuguesa

09/11/2013 14:25

Os Escravos domésticos:

 Os escravos domésticos - como indica o próprio nome - trabalhavam nas casas de seus senhores, realizando serviços como cozinhar e costurar. Existiram ainda casos de escravos que prestavam serviços remunerados e deveriam pagar parcela de sua renda ao seu proprietário, os chamados “escravos ao ganho", além de escravos que eram alugados pelos seus senhores para desenvolver algum ofício (pedreiro, carpinteiro, cozinheiro, ama de leite) a um terceiro, sendo assim “escravos de aluguel”. Estes dois últimos tipos de escravos desenvolviam suas tarefas geralmente nos espaços urbanos.

 

 

Os escravos de aluguel:                 

Subdividindo ainda mais esses setores de atuação do trabalho escravo, verifica-se que no espaço urbano destacou-se o trabalho dos escravos de ganho e também dos escravos de aluguel. Esses últimos, como o próprio nome diz, eram alugados por seu senhor a terceiros, normalmente eram aqueles que realizavam, como propriedade, algum ofício como carpinteiros, sapateiros e cozinheiros. E os de ganho, eram os que iam pelas ruas a fim de prestar serviços ocasionais e que deviam, ao fim do dia, entregar a seus senhores uma quantia previamente fixada.

Neste caso, o proprietário se desobrigava de atender às necessidades básicas do escravo, na medida em que este dispunha de seu tempo com maior liberdade.

Part2: Diversidade do Trabalho Escravo na América portuguesa

08/11/2013 20:45

Na América portuguesa os escravos eram utilizados:

  • No trabalho de grandes engenhos exportadores, onde os escravos plantavam, cultivavam e beneficiavam a cana transformando-a em açúcar.
  • A complexidade e a diversidade das atividades de um engenho das atividades de um engenho exigiam grande número de braços para o trabalho no século XIX o principal produto da agricultura brasileira não era mais o açúcar e sim o café.
  • Entretanto permanecia a mesma organização produtiva: A grande propriedade latifundiária monocultura e exportadora baseada na mão - de - obra escrava

Nas cidades

  • Executavam as tarefas domésticas.
  • Transportavam mercadorias e pessoas pelas ruas.
  • Atuavam no pequeno comércio ambulante e nas vendas.
  • Prostituiam ou pediam esmolas em favor de seus proprietários.
  • Nos cenários urbanos, os escravos exerciam as mais variadas atividades a mando de seus senhores, para os quais eram obrigados a entregar 3 de seus ganhos de cada dia.

Na região mineradora

  • Os homens escravos penavam tirando do fundo do poço o cascalho que eram colocados em gamelas.
  • As mulheres escravas carregavam as gamelas com cascalho para este ser lavado.

Nas fazendas de café

  • O escravo pilava e torrava o café
  • Selecionavam o café para ser torrado.

Nas fazendas

  • Debulhavam e moíam o milho.
  • Cortavam a lenha.
  • Preparavam a farinha de mandioca e o fubá.
  • Cumpriam-se o ritual da manhã, todos se apresentavam ao administrador, ou dono.

Outras tarefas

  • Puxar com uma corda presa à boa, nadando, uma embarcação.
  • Abanar seus senhores.
  • Carregar redes, onde senhores sentavam e eram carregador.

Observações

  • Levado, com frequência a abandonar sua religião de origem, o escravo foi incorporado nos rituais religiosos católicos, nos quais devia se conformar com sua condição.
  • As senzalas eram longas construções sem janelas ou com janelas gradeadas. O mobiliário se resumia a um estrado com esteiras, ou cobertores, e um travesseiro de palha.

 

A vida de escravo

A vida cotidiana do escravo se desenvolvia, não em função de suas próprias escolhas, mas em decorrência das tarefas que lhe eram atribuídas. Isto acontecia pela sua contraditória condição de humano e de "coisa" - ter vontade própria e não poder executá-la, tendo de executar, por outro lado, vontades que não eram suas, mas do senhor. O dia-a-dia do escravo refletia sua condição própria de existência e variava bastante, dependendo das especificidades do trabalho na agroindústria canavieira, na agricultura cafeeira, na atividade aurífera ou em atividades domésticas.

 

A origem

Afirma-se que os escravos foram trazidos inicialmente da Guiné não contribuiu para esclarecer muito as coisas. Olhando-se num mapa moderno da África Ocidental, poder-se-ia pensar que todos os negros eram originários da região onde fica hoje o estado denominado Guiné. Contudo, na época, o nome era usado de forma muito genérica e devia incluir toda a região que vai da embocadura do rio Senegal - limite da região desértica entre Senegal e Mauritânia -  até o do rio Orange, no atual Gabão. Por isso, durante os dois primeiros séculos, quase todos os escravos eram "da Guiné", mesmo sem sê-lo. A origem dos primeiros escravos identificou a região.

 

Part1: Diversidade do Trabalho Escravo

08/11/2013 14:40

Diversidade do Trabalho Escravo na América Portuguesa

Nos ofícios e no setor de serviços, a diversificação do trabalho escravo destacava-se mais ainda. Ao longo de todo o período escravista, era possível encontrar escravos e escravas desempenhando inúmeras atividades: Sapateiros, barbeiros, alfaiates, ferreiros, padeiros, carpinteiros, marceneiros, escultoras, músicos, pintores, seleiros, paneleiros, latoeiros, boticários, carregadores, estivadores, pescadores, barqueiros, marinheiros, (inclusive no tráfico negreiro), soldados, capitães do mato, caixeiros e até escrivães de cartório (!), enfermeiros(as), chapeleiros(as), vendedores(as), de todo tipo, cozinheiros(as), doceiras, amas de leite e prostitutas, entre uma infinidade de outras ocupações.

Principalmente nos centros urbanos, esses escravos artesãos e prestadores de serviços podiam ser “negros de ganho”: trabalhavam por conta própria, entregando uma quantia fixa, diária ou semanalmente, aos seus senhores e atendendo às suas necessidades básicas por meio de ganhos pessoais.

*Séculos XVI, XVII, XVIII. Ciclo da cana de açúcar.

*Séculos XVII, XVIII. Algodão, gado, e drogas do Sertão.

*Século XVI. Pau-Brasil.

OBS: O ciclo do café é o último e mais importante do Brasil, iniciado no século XIX. Entretanto, permanecia a mesma organização produtiva: a grande propriedade latifundiária monocultora e exportadora baseada na mão de obra escrava.

Formas de trabalho escravo no Brasil

Os africanos que vieram escravizados para o Brasil, entre os séculos XVI e XIX, não trabalhavam somente nos engenhos de cana-de-açúcar. Como analisaremos no presente texto, existiam diferentes formas de trabalho escravo no Brasil.

Entre os séculos XVI e XVII, os engenhos de cana-de-açúcar se constituíram como principal atividade econômica no período colonial, contudo muitos escravos trabalhavam (principalmente no Rio de Janeiro, Pernambuco e em outras cidades litorâneas) como estivadores, barqueiros, vendedores, aprendizes, mestres em artesanato e serviços domésticos.

 

A partir dos séculos XVIII e XIX, com a ascensão da mineração em Minas Gerais e Goiás, milhares de escravos foram trabalhar nas minas e demais atividades (como a agropecuária) que movimentavam a economia nas regiões auríferas. Outras formas de trabalho escravo foram: a criação de gado no nordeste brasileiro; os trabalhos desempenhados no tropeirismo (conhecidos como tropeiros, exerciam atividades comerciais de uma região à outra); e o trabalho de zelar e tratar dos animais carregadores de mercadorias.

 

Nas cidades, as formas de trabalho escravo variavam bastante. Existiam os escravos prestadores de serviço, isto é, os escravos de ganho, carpinteiros, barbeiros, sapateiros, alfaiates, ferreiros, marceneiros, entre outros. As mulheres também exerciam o trabalho escravo: geralmente elas trabalhavam como amas de leite, doceiras e vendedoras ambulantes (ou seja, as chamadas “negras de tabuleiro”). Portanto, no Brasil existiu uma grande diversidade nas formas do trabalho escravo.